Em resumo
A técnica endovascular é hoje o principal método de tratamento por cateter, tanto das artérias quanto das veias: da angioplastia, com ou sem stent, à ablação da safena com cateter de laser ou de radiofrequência.
Quase todo tratamento vascular hoje tem uma versão feita por punção, com cateter e guiada por imagem, e outra feita por cirurgia aberta. A pergunta que eu faço não é qual das duas é mais moderna. É o que cada uma troca. A punção costuma ter recuperação mais curta e menos risco imediato. Em vários territórios, em troca, pede acompanhamento por imagem mais longo e tem mais retratamentos ao longo dos anos. A cirurgia aberta pede mais recuperação e tende a resolver de uma vez. A escolha depende da anatomia, do risco de cada pessoa e, em alguns casos, de quanto tempo de vida se espera pela frente.
O que muda de um território para outro
Aneurisma de aorta
A correção endovascular tem recuperação mais rápida e menos risco imediato. Em troca, exige acompanhamento por imagem pelo resto da vida e tem mais reintervenções ao longo do tempo. No endovascular, a maioria recebe alta em poucos dias; na cirurgia aberta, a recuperação é de semanas. Quando o aneurisma pega as artérias dos rins, também dá para tratar por dentro, com próteses fenestradas ou ramificadas, planejadas caso a caso por imagem e feitas em centro com experiência nesse tipo de reparo.
Página completa: Aneurisma de aorta: como se decide operar, além do diâmetro
Carótida
No maior estudo que comparou stent e cirurgia em pacientes sem sintoma, os resultados foram comparáveis. A escolha depende da anatomia e do risco de cada paciente. E o remédio é obrigatório para todos, com ou sem procedimento.
Página completa: Estenose de carótida: operar, colocar stent ou tratar com remédio?
Artérias das pernas
Entre angioplastia com stent e ponte, não existe resposta geral. Depende de onde está a obstrução, de haver uma boa veia safena para a ponte e do risco cirúrgico de cada pessoa. Depois de qualquer um dos dois, o tratamento clínico continua por toda a vida.
Página completa: Obstrução das artérias das pernas: caminhar, angioplastia ou ponte?
Varizes
Nas comparações diretas entre termoablação e cirurgia, o resultado clínico é semelhante. A diferença está na recuperação. No estudo que conduzi, quem fez radiofrequência voltou antes às atividades, com a mesma taxa de sucesso da retirada da safena.
Página completa: Varizes e refluxo de safena: o que o ultrassom decide e qual técnica faz sentido
Mioma uterino
A embolização fecha as artérias que alimentam os miomas e preserva o útero, com recuperação mais curta. Em troca, mais mulheres precisam de um novo tratamento nos anos seguintes: no estudo REST, cerca de um terço das embolizadas precisou de novo procedimento em cinco anos. Para quem quer engravidar, a miomectomia costuma ser a primeira opção discutida. A decisão é tomada junto com o ginecologista.
Página completa: Mioma uterino: embolizar, operar ou esperar
Trombose venosa profunda
O tratamento básico é o anticoagulante, e ele resolve a maioria dos casos. Retirar o coágulo por cateter faz sentido em pacientes selecionados com trombose iliofemoral, na virilha ou na pelve, sobretudo com sintomas intensos e baixo risco de sangramento. Na coxa e na panturrilha, os estudos não mostraram vantagem.
Página completa: Trombose venosa profunda: quando só anticoagular e quando retirar o coágulo
Embolia pulmonar
Na maior parte dos casos, o anticoagulante impede o coágulo de crescer e o corpo reabsorve o que já está lá. Dissolver com remédio ou retirar por cateter fica para as situações em que o coração está sob ameaça.
Página completa: Embolia pulmonar: como se mede a gravidade e quando reabrir a artéria
Varizes pélvicas e compressões venosas
Compressão da veia ilíaca sem sintoma é comum em pessoas saudáveis. O stent entra quando há sintoma compatível e repercussão comprovada. A embolização das veias pélvicas e o stent venoso são feitos por punção, com anestesia local e sedação.
Página completa: Varizes pélvicas, May-Thurner e Cockett
Aneurismas das artérias do abdome e da perna
A maioria é achada por acaso e não exige cirurgia. Quando há indicação de tratar, muitos são tratados por dentro da artéria, com embolização.
Página completa: Aneurisma de artéria esplênica, renal ou poplítea: quando tratar e quando acompanhar
Filtro de veia cava
Filtros recuperáveis devem ser retirados quando a proteção não é mais necessária, salvo se o risco da retirada superar o benefício. Filtro antigo não é sinônimo de filtro que não sai: com técnicas avançadas, inclusive a laser, a maioria dos filtros implantados há anos foi retirada nas séries publicadas por centros com experiência.
Página completa: Filtro de veia cava: retirar ou deixar?
O que vale para todos
O procedimento é uma parte do tratamento, não o tratamento inteiro. Na doença arterial, o remédio e o controle dos fatores de risco continuam pela vida toda, com ou sem procedimento. E em vários territórios a melhor conduta, por um bom tempo, é acompanhar com exame, sem procedimento nenhum.
Perguntas frequentes
Tratamento por punção é sempre melhor que cirurgia aberta? Não. A punção costuma ter recuperação mais curta e menos risco imediato, mas, em alguns territórios, pede acompanhamento por imagem mais longo e tem mais retratamentos. A escolha depende da anatomia e do risco de cada pessoa.
Minimamente invasivo quer dizer sem anestesia? Não necessariamente. Muitos procedimentos por punção são feitos com anestesia local e sedação, mas a anestesia depende do procedimento e do caso.
Quem decide a técnica? A decisão é tomada na consulta, com os exames de imagem, e é compartilhada com o paciente. No mioma, também com o ginecologista.
Agende uma avaliação
Se você recebeu a indicação de um procedimento e quer entender por que essa técnica, ou se a outra também serve no seu caso, a avaliação é feita na Clínica Endovascular São Paulo. Agende na clínica.
Referências
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Conteúdo de caráter informativo. Não substitui a consulta médica: a indicação de qualquer tratamento depende de avaliação individual.

Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico · CRM-SP 117.876
Cirurgia Vascular — RQE 52745
Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular — RQE 527451
Ecografia Vascular com Doppler — RQE 527452